12.6.17

O encantador de pássaros [ou a história mais bonita de sempre]

Esta é uma daquelas histórias que parecem saídas de um filme e, não fosse ter-se passado na minha presença, era capaz de questionar a sua veracidade.
Ontem, ao final da tarde, o homem da minha vida estava distraidamente no terraço de nossa casa, acompanhado da sua guitarra Martin. Como muitas outras vezes, tocava sozinho e para si, descontraindo depois de um dia de trabalho. Mas pela primeira vez, algo de inédito aconteceu... Do último andar do nosso prédio, a sua música chamou até si o mais atento espectador de sempre: um Agapornis Roseicollis.


Durante mais de uma hora, este pássaro escutou atentamente da cobertura do prédio, emitindo alguns sons como que a participar neste improvisado serão musical.
Ao assistir à interacção entre aqueles dois, apercebi-me de que o pássaro estava com vontade de se aproximar. Passado tanto tempo, ainda não tinha ido embora e já havíamos feito vários tipos de barulhos e de movimentos sem que ele se assustasse. Disse ao J. que experimentasse ir até ele com uma luva calçada, não fosse o pequeno Agapornis ficar assustado e dar-lhe uma valente bicada. Até porque a nossa intenção não era apanhá-lo mas sim perceber se ele realmente queria vir ter connosco.


Andou ali numa grande dança, deixando que lhe tocássemos, e dando pequenas bicadas que mais pareciam beijinhos. Percebemos que não era agressivo mas continuávamos a não querer forçá-lo. Nessa altura eu comentei que se ele descesse de livre vontade até nossa casa, nós tomaríamos conta dele.
E eis que, ao pôr do sol, se dá o momento mais extraordinário... Ele voou para uma cadeira no nosso terraço e nessa altura o J. aproximou-se dele, esticou o braço e o pássaro saltou para a sua mão, como que numa espécie de entrega.


O mais inesperado? Assim que entrou em nossa casa, saltou para o seu ombro, qual capitão com o seu papagaio!


Foi um momento maravilhoso, daqueles que nos aquecem o coração e a alma e que nos relembram o porquê de gostarmos tanto de animais.
Descobrimos que ele é muito meigo e que adora música e pessoas. Também eu já tive a felicidade de ser adoptada por ele [embora ele só venha quando quer e não quando nós o chamamos].


Este foi um daqueles estranhos e felizes casos em que um animal escolhe o seu dono da forma mais inusitada. Foi baptizado de "Martin" em homenagem à guitarra que o chamou até nós.
Confesso que ainda estamos a digerir esta ideia de termos um pássaro em casa... Não tínhamos nenhum, nem estava nos nossos planos, pelo que fomos a correr comprar comida e uma gaiola. Assim que o colocámos na sua nova casinha, comeu e bebeu durante muito tempo. Também já percebemos que quando aproximamos a mão, ele inclina a cabeça para receber festas.

Entretanto, assim que isto aconteceu, desafiei um familiar de extrema confiança a ficar com ele, uma vez que já tem um da mesma espécie e que o trata como família. Até porque os nossos dois cães não ficaram radiantes com a ideia e por enquanto ainda olham para ele como uma espécie de iguaria... Mas para já, o Martin está connosco e pelo menos uma vez por dia sairá da sua gaiola [bem longe dos 4 patas, claro está]!


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