15.7.16

A nossa vitória


Nunca pensei escrever sobre futebol. Sempre tive o meu clube do coração e as minhas preferências mas nunca fui fanática por estes assuntos. Foi, por isso, com alguma estranheza que no Domingo à noite dei por mim numa espécie de bipolaridade como nunca pensei ser possível. Ao longo dos 120 minutos passei pelos mais diversos estados de espírito: eu ri, eu chorei, eu "rezei"... Muito pouco habitual em mim.

No Domingo assistimos a um jogo de emoções onde prevaleceram a união e a superação. Não fomos os "coitadinhos" que perderam o Cristiano Ronaldo logo aos 7 minutos; fomos uma equipa que lutou até ao fim e que enfrentou as adversidades sem baixar os braços. Aguentámos o embate, permanecemos firmes, cansámos o adversário e a magia aconteceu.
Para além dos jogadores que nos surpreenderam neste dia, descobrimos que o Ronaldo tem um grande talento fora do campo [ri-me que nem uma perdida com os seus dotes de treinador!]. Neste dia, aprendemos que um verdadeiro capitão nunca abandona a equipa. Aquilo a que todos assistimos foi uma injecção de motivação de alguém que "ressuscitou" depois de um dos golpes mais duros da sua vida, que tinha tudo para estar desconsolado, que havia trabalhado demasiado para ser privado de um momento como este mas que ainda assim não desistiu sem dar luta.

Depois de duas horas de sofrimento, gostei particularmente da sensação que nos trouxe a vitória. Não tanto pelo troféu em si mas pela felicidade e pelo orgulho que todos sentimos nesse momento. Aprendemos que juntos somos mais fortes e compreendemos melhor que nunca o significado do nosso hino. Sentimos a grandeza de uma nação valente que levantou de novo o esplendor de Portugal. Uma nação inteira que acreditou que era possível.
Neste Domingo histórico, os portugueses não estavam divididos pelas preferências clubísticas. Neste dia, não fomos adversários uns dos outros... Fomos todos UM! Pela primeira vez, benquistas, sportinguistas e portistas juntaram-se para celebrar uma vitória comum. Quantas vezes na história e na vida é que temos a possibilidade de assistir a um momento como este?

Para além da monumental lição que demos a França, que não nos levava minimamente a sério, esta foi também uma valiosa lição para nós. Descobrimos que o nosso fado pode não ser triste e que, afinal, somos tão capazes como os outros.
Que a nossa memória, por vezes tão curta, nos relembre sempre deste fim-de-semana, não só pela modalidade do futebol mas por todas as outras que conquistaram medalhas envergando as cores do nosso país.

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