16.12.15

Os animais sentem [e nós também]


Ontem tive conhecimento que uma amiga havia perdido a sua companheira de 4 patas. Mais de uma década de alegrias e histórias para contar... Aquilo que muitas amizades não duram.
Para quem assiste de fora, a perda de um cão pode simbolizar apenas o desaparecimento de mais um animal de estimação, de entre os muitos que as pessoas que nos rodeiam vão tendo ao longo da vida. Para quem fica sem ele, é praticamente como perder um membro da família ou um amigo. Sim, um amigo. O mais fiel amigo que alguém pode ter.

Ao contrário dos humanos, os quais verbalizam perante dezenas de pessoas que aquela união será "até que a morte os separe" mas se separam por tudo e por nada, os cães assumem naturalmente esse compromisso para connosco no dia em que passam a fazer parte da família. Não importa o nosso emprego, o nosso carro, a forma como nos vestimos ou mesmo a situação financeira. Não interessa, tão pouco, se temos uma casa ou se vivemos na rua [já repararam na cumplicidade entre alguns cães e os donos sem-abrigo?]. Nós passamos a ser a sua matilha e eles estão ali para o que der e vier, nunca nos vão abandonar.

Os cães têm qualquer coisa de fascinante na forma como nos recebem em cada regresso a casa, independentemente de termos saído há uma hora ou há um dia. É genuíno. Ficam genuinamente felizes quando nos vêem e quando estão na nossa companhia.
Sabem como ninguém quando devem (ou não) aproximar-se, quando tivemos um mau dia, se estamos contentes ou se há algo que não está bem. Conhecem-nos como poucos e acompanham os nossos estados de espírito com uma sabedoria impressionante.

Ter um cão é uma constante lição de humildade. Estão sempre prontos para dar tanto e receber tão pouco... Eles simplesmente confiam em nós e não nos julgam. São gratos e generosos.
São também, em muitas ocasiões, a melhor companhia que podemos ter. Sempre bem dispostos, sabem ser felizes com as coisas mais banais e gozam o momento com uma descontração invejável. Para eles o que importa é o aqui e o agora. 

E por tudo isto, abrir a porta de casa e não ter a habitual recepção, ou apenas a alegria da sua presença, é acordar para a triste realidade de que eles partiram e não voltam... Enquanto fazemos o luto, todos os regressos são dolorosos até que a dor comece a suavizar. Não os esquecemos, nunca! Mas habituamo-nos à ideia de que aquela presença é agora uma memória.
Com algum trabalho interior, a ferida aberta no dia em que nos despedimos deles começa lentamente a cicatrizar, podendo com o tempo dar lugar a um espaço vazio pronto a ser preenchido. Não para substituir, pois cada um à sua maneira tem para sempre um lugar especial em nós [todos são insubstituíveis], mas para voltar a ter o previlégio de partilhar o nosso dia-a-dia com um ser tão generoso. E há tantos a precisar... Porque eles sim, estão disponíveis para nos amar incondicionalmente até que a morte nos separe.


Para a Cuca.

1 comentário:

  1. Não escolheria melhores palavras! Aconteceu-me a mim o ano passado.. Fiquei sem a minha pintarolas e companheira de 15anos. E não foi nada fácil...

    Beijo e força á Cuca

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