12.11.15

Como emagrecer um cão obeso

Um dos erros mais comuns de quem tem cães é o facto de olharem para eles quase como pessoas no que diz respeito à alimentação. Dar os restos do almoço ou do jantar e permitir que consumam vários tipos de alimentos (nomeadamente com sal e açúcar), são alguns hábitos que, a longo prazo, podem prejudicar a saúde dos animais. Os cães não são humanos, logo o seu organismo não está preparado para assimilar o mesmo tipo de alimentação que nós.

O principal problema é que muitas vezes os donos têm pena dos animais. Quantas vezes ouvimos a célebre frase do "coitadinho, é só um bocadinho...". E bocadinho a bocadinho vamos cedendo demasiadas vezes, acabando por lhes dar alimentos proibidos, tanto por desconhecimento como por distracção [farei uma lista destes alimentos num outro post].

Mas como em tudo, é uma questão de hábito. A minha cadela mais velha, uma miss simpatia, sempre deu nas vistas na rua por ser a típica gordinha divertida, versão cão. A dona do café e as vizinhas, por exemplo, achavam-lhe graça e davam frequentemente "só um bocadinho" de qualquer coisa: uma língua de veado, um bocado de pão, uma pontinha de fiambre... Havia sempre um brinde para dar à gordinha (que no geral sempre foi bastante comodista mas que se bamboleava a grande velocidade quando percebia que havia comida).


Resultado: uma Basset Hound que chegou a pesar 33 Kg!
Acontece que esta cadela foi adoptada com cerca de 4 anos e o facto dela já ter vindo redondinha não ajudou a compreender que estava acima da escala. Também tinha sido esterilizada, pelo que o excesso de peso sempre foi muito associado a esse facto. Ou seja, havia demasiadas "desculpas" para ela ser assim.

Apesar de não sermos uns donos como aqueles que descrevi no primeiro parágrafo, de vez em quando davamos uma pontinha do pão ou um pedaço de bolacha... Coisas aparentemente inofensivas mas que não o eram.
Entretanto já tínhamos aderido a rações menos calóricas, incluindo as light ou sénior, e reduzido a porção diária mas ainda assim não tinha sido suficiente. Até que uma ida ao veterinário em Setembro do ano passado nos abriu definitivamente os olhos: a nossa Basset estava com 12 anos e 30,500 Kg. Nesse dia, pela primeira vez, tivemos de "chamar os bois pelos nomes": a gordinha estava obesa! Ou começava a fazer uma dieta rigorosa, ou os problemas de saúde - nomeadamente de coluna - iriam surgir em breve, já que tinha sido um milagre não terem aparecido entretanto.
Perante este cenário, não foi difícil tomar uma decisão: a partir daquele momento acabavam-se TODOS os extras. Por recomendação da veterinária, tinha de passar a andar mais e a única ração permitida era a Purina OM (Obesity Management), bastante cara - cerca de 88€ o saco de 14 Kg - mas com um valor mais simpático no site da Tiendanimal (à volta de 63€). O único brinde permitido seria apenas um ou outro biscoito para cão esporadicamente.
As vizinhas, habituadas a dar sempre qualquer coisa quando a viam, não aceitaram à primeira estas proibições. Mas com o tempo, e depois de termos explicado o mal que aquilo lhe estava a fazer, tudo foi ao seu lugar.

Decorrido pouco mais de um ano do início da dieta, e agora com 13 anos, a nossa gordinha (sim, já não está obesa) conseguiu perder mais de 5 Kg. Pode parecer pouco mas era o equivalente a andar com um garrafão de água às costas! Tudo a seu tempo, que a idade já não facilita estes processos, mas aos poucos vamos continuando o bom trabalho.

Foto tirada em Setembro de 2015

A única forma de conseguirmos ajudar os nossos amigos de 4 patas é interiorizarmos que, para serem felizes, não precisam de muitos extras nem tão pouco da nossa comida e dos nossos temperos. Porque fazer parte da família não significa comer aquilo que nós comemos, mas sim dar-lhes todas as condições e honrar os compromissos inerentes a ter um cão.

1 comentário:

  1. Excelente artigo é precisamente o que acontece com o meu cão vou tentar seguir rigorosamente. Obrigado

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